viver

27/07/2017 15:45

“ Viver não é respirar, é agir; é fazer uso de nossos órgãos, de nossos sentidos, de nossas faculdades, de todas as partes de nós mesmos, que nos dão o sentimento de nossa existência” ( Rousseau, in Emílio, ed. Martins Fontes,SP, 2004, pg 15)

Esta afirmação de Rousseau (1712-1778), numa de suas obras mais importantes, Emílio ou Da educação, escrita em 1762, já nos dá uma ideia bem próxima da perfeição, do seu conceito de viver.

Refletindo a respeito, vemos que o conceito puramente biológico de respirar, ter ondas cerebrais e coração ativos, não é suficiente para considerar a vida, no seu sentido pleno. Ele logo coloca o agir, como condição de vida e ao lado do agir, fazer uso dos órgãos, dos sentidos, de todas as faculdades humanas, para termos o sentimento de nossa existência.

Assim, transportando tudo isto para a nossa própria vida, nos surpreendemos em perceber que muitas vezes, estamos levando uma imitação de vida, porque nos limitamos apenas à nossa existência fisiológica: dormir, acordar comer, trabalhar (pouco ou demais), procriar, e voltar a dormir para continuar tudo igual no dia seguinte.

O conceito de Rousseau, entretanto, nos convida a uma vida mais intensa, de órgãos, de sentidos, de faculdades, de todas as partes de nós mesmos. Em todas as situações ele incentiva viver a vida ricamente: com emoções boas, ações justas, busca de conhecimento e aprendizado em todos os momentos. E nós, que somos espíritas e, portanto, espiritualistas, acreditamos na vida eterna do nosso espírito, o que temos feito em favor dele, da nossa parte eterna, que jamais morre?

Será que estamos crescendo em espírito? Será que trabalhamos em favor de novas conquistas espirituais? Será que estamos praticando, o que já aprendemos, a respeito disso?

Ou será que assistimos a aulas, a palestras, comovemo-nos com tanta beleza e ............ ficamos só nisto? Em que estamos mais ricos hoje do que ontem? Em que estamos melhores, como seres humanos, racionais e eternos que somos? Em que o nosso espírito triunfa sobre o chamamento fascinante da matéria? Seremos, por exemplo, capazes de abolir vícios simples, como gula e fumo? Ou estas coisas, essencialmente materiais e diga-se de passagem, altamente prejudiciais à nossa saúde, têm ainda mais poder que a vontade do nosso espírito?

Estas foram algumas das perguntas que me vieram à mente. Mas sintam-se à vontade para formular outras.

E a nossa conclusão final será: Estamos vivendo ou imitando a vida, com grande dano para o nosso espírito?

Achem, cada um por si, a sua resposta. Abraço.

 

 

 

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