Olhos de ver
O meu grande amigo, Marco Namura, sempre me visita e troca comigo muitas ideias, o que tem me enriquecido muito, na minha visão, não apenas da vida.
Aprendi com ele, que os pintores famosos do Renascimento, não eram canhotos, como se pensava, ao ver os seus autorretratos: eles apenas se olhavam no espelho, que apresenta a imagem refletida, invertida.
Eu sabia disto, mas foi preciso viver esta experiência, de um desenho que fiz de mim, me olhando no espelho, para que este conhecimento adentrasse no meu espirito.
Na sua última visita, ele falou-me das sombras na pintura. Disse-me que era absurdo, venderem tinta de sombra pronta, pois cada sombra tem a sua cor específica, cinza, verde, azulada, etc.
Eu fiquei admiradíssima disso, porque eu nunca havia percebido isto. As cores da natureza são sempre surpreendentes. Antes, quando via uma mata, tudo era simplesmente verde. Hoje, já aprendi a distinguir vários tons de verde na mata.
Mas, voltando à sombra, ele me disse que gosta muito de ver a sombra do outono e do inverno, que são mais longas. Eu nunca tinha reparado nisso, em sombras mais longas, mas agora comecei a perceber também.
Hoje trouxe este assunto enriquecedor sobre arte, que vou aprendendo com ele, porque andei fazendo umas reflexões que gostaria de compartilhar com os meus amigos.
Vivemos mergulhados na vida, na agitação normal dos nossos afazeres, e nem paramos um segundo sequer para olharmos o que acontece ao nosso redor: tudo nos parece do mesmo tom, como a mata me parecia apenas verde.
Não percebemos um olhar especial de um filho, um sorriso de uma criança, na rua, um sentimento exteriorizado de alguém a quem amamos, um gesto de afeto.
Passamos por tudo e todos como uma moto-niveladora, sem nos darmos conta da vida que acontece ao nosso lado. E esta vida é tão rica de lições, de beleza, de aprendizado.
Então amigos, paremos um pouco de correr: vamos observar uma flor, um pássaro de cores vivas e brilhantes, uma borboleta, uma árvore, uma fruta que desponta e amadurece, um cãozinho, que nos abana a cauda, felizes por nos ver, uma criança que nos abre os bracinhos para um abraço, ou nos estende a mãozinha para ganhar um presente, um adolescente que faz uma pose diante de nós, para ouvir a nossa aprovação da roupa que veste, um velhinho que nos solicita com o olhar, uma migalha de atenção, o esposo ou esposa que nos olha com carinho.
Há tanto que ver e, principalmente, aprender!
Mas para isso é preciso despertar, abrir os “olhos de ver”, como já nos advertia o nosso querido Mestre Jesus.
Vamos procurar ter “olhos de ver?”
Concordam comigo, ou não?
Abraço a todos.
