O auto engano...
Existe uma piada assim: um motorista trafegava por uma via de mão única e ouve no rádio um aviso aos motoristas de que um carro trafegava na contramão, trazendo muitos riscos. Ao ouvir o anúncio, o motorista exclama: Um carro não, todos.
O filósofo Nietzsche dizia:
Enganar os outros é um defeito relativamente insignificante; o que nos transforma em monstros é o auto engano.
A piada que inicia o nosso assunto ilustra bem como o auto engano nos transforma em seres perigosos, mesmo, às vezes, sem termos consciência disto. O nosso dia a dia é repleto de ações assim. Muitas vezes alguém nos faz uma afirmação, mas por termos um preconceito contra a pessoa ou estarmos distraídos, entendemos outra coisa. Daí surge o desentendimento que pode acabar com uma amizade sólida, porque juramos que ouvimos uma coisa que não nos foi dita. Outras vezes, interpretamos um sorriso como um deboche, uma observação como uma crítica ferina, um olhar amoroso (no melhor sentido), como um olhar cúpido; um troco errado dado por alguém distraído é interpretado como desonestidade e por aí vai, são milhares de situações em que estamos enganados e, por orgulho ou sei lá por que motivo, insistimos no erro, enganando-nos a nós mesmos.
O filósofo percebeu bem a gravidade do auto engano, que é mais grave quando, por exemplo, nos achamos portadores da verdade, ou que a nossa opinião é a certa, porque já somos evangelizados, já somos espíritas e portanto, já fizemos a nossa reforma íntima e então, estamos certos.
Vendo assim, parece ridícula ou exagerada a nossa postura, mas já cansamos, nós mesmos, de ser assim e ver outras pessoas com esta conduta.
E por que isto acontece?
Por falta de nos conhecermos. O Conhece-te a ti mesmo, inscrito no frontal do templo de Apolo, em Delfos, tem mais de 2.500 anos e ainda assim não aprendemos a nos conhecer, porque preferimos nos enganar, como se, com essa postura, pudéssemos mudar algo em nós mesmos.
Mas o maior Mestre, Sábio e Filósofo que já viveu entre nós, Jesus, nos advertiu: Conhecereis a verdade e ela vos libertará.
Então, compete a cada um de nós conhecer-nos, sinceramente, sem mentiras e desculpas para nós mesmos. É preciso que tiremos a máscara atrás da qual nos escondemos e olhemos para o nosso espírito com um olhar verdadeiro, desejando nos conhecer realmente, para sermos capazes de promover uma verdadeira reforma íntima, o crescimento espiritual que devemos buscar, diariamente.
Concordam comigo? Um abraço a todos...
