Justiça e o que é justo...

19/12/2014 12:11

Havia, na Entidade Espírita Caritas, de Mogi das Cruzes, um senhor que deixou saudade no nosso coração. Quem é antigo na casa, deve lembrar-se dele: o “seu” Walter.

Quem não se lembra de sua gentileza, seu carinho, sua fina educação, seu bom coração? Ele deixou em todos nós, marcas profundas.

Era marceneiro de profissão e trabalhava muito bem, tanto que a gente sempre o contratava para algum serviço no gênero. Em casa das pessoas era o mesmo homem gentil, educado, generoso, amigo das crianças que pulavam ao seu redor, querendo brincar e falar com ele, que quase sempre, parava o que fazia, para lhes dar atenção.

Como ele era muito carinhoso, beijava a todas as mulheres, jovens, velhas, gordas, magras, bonitas, feias, o que naqueles idos não era habitual, como é hoje. O seu beijo sempre nos trazia um pouco de seu imenso coração.

E diga-se, num parênteses triste, muitas vezes foi criticado, duramente, por este hábito tão amoroso, na certa por despertar inveja daqueles que não se sentiam amados como ele.

Certa vez, conversando em casa, com meu marido, advogado que era, falou-lhe de uma casinha que ele alugava, e cujo inquilino já fazia mais de ano não lhe pagava aluguel. Meu esposo, como sempre prestativo para ajudar as pessoas, advogando, gratuitamente, para elas, ofereceu-se para pedir o despejo do inquilino dele.

Este inquilino era vadio, não trabalhava, vivia na rua criando problemas com os vizinhos, não pagava o aluguel, era enfim uma pessoa nem um pouco confiável.

Tudo isso, a respeito dele, o seu Walter contou ao meu marido, inclusive que o aluguel lhe fazia falta, porque sua aposentadoria era pequena e o aluguel ajudaria na sobrevivência dele, da esposa, e de um enteado, jovenzinho, que vivia com ele.

Maas..... Em nenhuma hipótese, ele pediria do despejo do homem, porque, como ele dizia: “Um  verdadeiro espírita não demanda na justiça”.

Por mais que eu e meu marido tentássemos demovê-lo da ideia, pontificando que era justo para ele pleitear o aluguel de uma casinha que suara para ter, ele não cedia e ainda acrescentava: “E se na outra encarnação eu o prejudiquei? Estou colhendo o que plantei!

E o episódio termina assim mesmo: ele não fez nada para receber os aluguéis do seu inquilino malandro, que abusava da sua imensa bondade.

Fica aqui a reflexão: Um verdadeiro espírita não deve recorrer à Justiça, em nenhum caso.    Será?

Então, por que haveria a Justiça, as Leis, se não é para corrigir as injustiças, as distorções da lei, as infâmias praticadas contra os mais fracos?

 Procurar o nosso direito, lutar por ele é um dever nosso. E se seu prejudiquei o outro em vida anterior?

A resposta é simples: a Justiça Divina não falha e se eu prejudiquei o outro, cedo ou tarde, prestarei contas à minha própria consciência.

Creio, acima de tudo, de que não podemos nos colocar no lugar de Deus e decidir o que é justo ou não. Se, para mim, algo parecer justo, devo lutar por isto!

Concordam? Este é um assunto que cria muitas dúvidas. Opinem, por favor!justiça