Eu e o egoísmo

05/12/2015 18:59

Para bom entendedor, já ficou claro que sou egoísta, porque já coloquei o Eu, em primeiro lugar, porque até para dividir o egoísmo, Eu quero ficar em primeiro lugar. Parece piada ou exagero? Então, vamos refletir juntos.

Eu, por exemplo, achava que não era muito egoísta, mas depois de muita meditação e reflexão cheguei à conclusão de que sou mesmo egoísta. Porque aquela história de deixar de comer uma coisa gostosa para dar aos filhos ou ao cônjuge, ou à mãe é conversa fiada. A gente faz tudo isso, porque ama esses que nos são mais próximos. Mas é só sair deste pequeno círculo, que já vamos notar o nosso egoísmo. Por exemplo, alguém que fura uma fila de banco, apressado e nos revoltamos e reclamamos, às vezes até brigando com o apressado. É verdade que ele está errado, mas sabemos o que vai no seu coração? Quem sabe ele tem um filhinho gravemente doente, esperando um remédio ou uma consulta que o pai precisa pagar com urgência? Ou quem sabe outras tantas desculpas graves que justificariam a sua atitude deseducada. Pensamos nisso? Não. E um apressado, que nos buzina aflito, pedindo ultrapassagem e nós nos mantemos ali, e ainda dizemos: “tem pressa? Passa por cima”. Ignoramos se ele é um médico, que corre para salvar uma vida, ou um chefe de família que recebeu a notícia de um acidente grave com um familiar.

E o pior, quando vemos a casa do vizinho pegar fogo e dizemos: “Ainda bem que não foi a minha”, ou quando sabemos de uma calamidade em um local e dizemos ”Graças a Deus que não foi aqui ou onde mora o meu filho”. E continuamos nesta linha, agradecendo a Deus, hipocritamente, “ que a desgraça foi com o outro não comigo e com a minha família”.

Se alguém perde um emprego, bem dentro de nós, ainda agradecemos a Deus que foi com o outro e não conosco ou com algum querido nosso. E suspiramos aliviados. E quando sabemos de um acidente de carro, em que alguém ficou seriamente machucado, e o nosso filho que saiu de carro e não  chegou ainda, na hora em que ele chega, desaparece a nossa aflição e felizes dizemos: “Não foi ele, ainda bem, graças a Deus” e nem nos lembramos da aflição dos outros pais, cujo filho está à beira da morte.

Que motivação ofereceremos a estas atitudes, que não seja egoísmo? Queremos sempre ter a proteção de Deus e nunca pensamos no outro, porque só nos interessamos por nós mesmos. 

Vemos então, com vergonha até, que não amamos o próximo como a nós mesmos, mas amamos muito a nós mesmos e o próximo, bem..., o próximo fica para a próxima encarnação. E ainda valorizamos a reencarnação, que graças a Deus nos dá uma nova oportunidade de melhora, justificando a nossa falta de vontade de mudarmos agora.

É isso aí, amigos, que andei pensando! Alguém concorda comigo ou só  Eu sou assim? Será que apenas eu sou protagonista destas situações?

De qualquer forma, convido a todos a refletirem sobre si mesmos, fazendo um sincero autoexame.

 

 Abraço a todos