As curvas da vida...

26/10/2014 19:11

Assistindo a um jogo de futebol, com meu neto, apareceu lá, não percebi em que situação, a palavra volante.

 O nosso cérebro é um arquivo maravilhoso: imediatamente veio-me à memória um fato onde deparei com esta palavra, numa situação muito insólita.

 Quando eu dirigia o Colégio Sentaro Takaoka, em Cocuera, lá pelos idos de setenta, todo início de ano era uma aventura: professores sem aulas apresentavam seus currículos, para pleitearem as possíveis vagas que houvesse. Nestes currículos, colocavam tudo o que tinham de cursos, para assumirem um bom lugar na classificação geral dos candidatos, embora, por lei, apenas os cursos elencados valessem para a classificação.

Estes títulos que valiam para a classificação eram bem discriminados, mas apesar disto as pessoas, talvez desesperadas para conseguir aulas, incluíam muita coisa inútil, o que aumentava muito o nosso trabalho, para verificar toda aquela papelada.

Naquele tempo havia poucas escolas e as oportunidades para conseguirem aulas eram poucas. Por isso, era uma “batalha”, na qual alguns procuravam participar, de uma maneira nem ética e nem moral, incluindo atestados falsos, documentos claramente rasurados, etc.

 Não julguemos estes pobres professores, talvez estivessem mesmo extremamente necessitados, mas, infelizmente ou não, não podíamos nos curvar aos subterfúgios que usavam.

Mas num ano, aconteceu um caso até risível: o professor deve ter sabido que eu era espírita e colocou entre os seus cursos, um Curso Volante de Espiritismo, do qual nunca ninguém ouvira falar e que, é óbvio, não era um curso elencado na lei.

Rimos muito na época, sem atentar para a pessoa que usara de tal recurso. Mas seria uma tentativa de corrupção, um ardil ou uma necessidade desesperadora de alguém?

Hoje, mais madura, reflito, como Jesus foi sábio no seu “Não julgueis”, porque não sabemos nada do que anda no coração das pessoas, as causas que as levam a tais ou quais atitudes. Pensemos nisto!

  Um abraço a todos !