Ainda a Morte

22/05/2016 02:00

Nesta semana, ao parabenizar uma pessoa idosa, perguntei-lhe se ela estava feliz por completar mais um ano de vida e ela respondeu-me: “Eu não, pois estou mais perto da morte.”

Esta resposta levou-me a  refletir a respeito do medo que as pessoas tem da morte, encarando-a como um grande mal, talvez por desconhecê-la.

E, por mais incrível que pareça, já passamos milhares de vezes por ela e ainda a tememos?

Será que o instinto de conservação é tão forte, que nos faz temê-la, a cada existência?

Se analisarmos friamente, com a razão, veremos que ela é uma grande amiga. A Natureza está cheia de lições para nós, neste sentido.

Os animais, as plantas as estrelas e os planetas, depois de um tempo mais ou menos longo, uma vez cumprida a sua missão, desaparecem para dar lugar a um novo ser, a uma nova criatura do Pai.

E por que para nós, seria diferente?

Quando em idade já avançada muitos se deprimem pela expectativa da aproximação dela, esquecendo-se de que surge em qualquer idade. Tudo é a mesma coisa.

Quando já vivemos muito, somos privilegiados, porque olhando a longa estrada que já percorremos, vemos quantas e tão valiosas lições aprendemos; vemos as pessoas maravilhosas que compartilharam conosco a vida; encontramos pessoas que talvez não nos quisessem bem e por isso, nos ensinaram mais, porque com elas aprendemos o valor do perdão.

E as emoções? Ah, as emoções vividas, nos enchem a alma da recordação de tão belos e intensos momentos: o amor, o nascimento de um filho, netos que surgem “como sobremesa” numa existência rica de sentimentos.

Uma longa vida, ou não tão longa, é sempre um aprendizado vivido. E quando a missão está cumprida, chega a hora de deixar a escola.

Na nossa vida material, ficamos muito felizes, quando terminamos um curso, temos um diploma na mão, nem que seja apenas   de um “grupo escolar”.

 E a nossa amiga Morte é um diploma: terminamos o curso.

Vamos para outro, que nos espera num futuro brilhante!

 

Abraço a todos.